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14 de julho de 2017

Melhor explicação sobre como a depressão se intala


Outro dia fui visitar um amigo que a mãe havia falecido há algum tempo. Ele estava meio sumido e meio recluso. Ele não tem a depressão doença, mas passava por um período depressivo.
Meu psiquiatra fala que depressão com motivo não é doença, é fase. Passa... Tem que ficar atenta, mas passa.
Este amigo me explicou pelo que tinha passado quando a depressão se instalou, achei superinteressante a explicação dele.
Ele comparou a vida social de um solteiro.
1.      No começo você a vai a balada 4 vezes na semana.
2.      Aí começa ir 3 vezes. Para que sair 4 vezes na semana? Gasta muito...
3.      Mais para frente você repensa e resolve sair só na sexta e sábado que é o dia que tem mais mulher bonita.
4.      Depois você começa a sair só na sexta. Aliás, você não pode dizer para seus amigos que ficou em casa na sexta-feira.
5.      Depois você deixa de ir à balada. Começa a se achar velho para isto. Já saiu demais, é sempre a mesma coisa, as mesmas conversas.
6.      Resolve fazer programas mais light, cinema, comer.
7.      Isto também perde a graça. Resolve ficar em casa e curtir um Netflix comendo pipoca.
8.      Para de abrir a janela porque não quer socializar com os vizinhos.
9.      Não se arruma mais. Para que? Só vou comprar comida, vou de chinelo mesmo.
10.   Quando ia receber visita, colocava uma roupa bonita. Depois percebeu que as visitas não iam deixar de gostar dele se ele as recebesse de bermuda velha e barba por fazer...
11.   Começa a pedir tudo pelo Ifood, internet, delivery...
12.   Se toca que está estranho tudo isto. Percebe que está em depressão. Sempre achou que isto era frescura de mulher.... A depressão se instalou.
Ele me falou isto com tanta emoção, tanta verdade. A sorte dele é ter amigos verdadeiros que o apoiam. Mas a marca ficou, susto, o medo desta escuridão voltar, o reconhecimento de que ela existe.
Achei interessante. Nunca tinha visto de fora a depressão se instalar assim. Tenho amigas que sofrem de depressão. Mas assim, o primeiro episódio, nunca tinha visto.
É uma doença que vem lentamente, vai mudando você, sua vida, sua percepção de vida. Quando você percebe, já está prisioneira de si mesma, de suas emoções, o mundo parece perder a cor ou desaparece, só sua dor parece real e importante...
Meu amigo já melhorou, já retomou sua vida.


21 de maio de 2017

Primeira regra da saúde mental


      Sabe, só quem passa pelo que nós passamos vai nos entender. Muitos profissionais da saúde são tão leigos quantas outras pessoas.
Portanto, não justifico mais, não explico, não argumento, apenas observo. Nem responder mentalmente eu respondo. Perda de tempo. Faço cara de paisagem. Respondo com um:
_NÃO TE INTERESSA.
Ou:
_Pode deixar eu tenho excelentes profissionais me acompanhando. Não preciso da opinião de leigos.
Ou:
_ Nossa!!! Não sabia que você é formada em medicina!
Ou:
_ Estou aqui me perguntando, o que eu falei para você achar que quero tua opinião, ou que você pode dar palpite na minha vida.
Mas falo sem tom de voz de raiva, às vezes até sorrindo. Ou com cara de jogador de pôquer, sem expressão. Nunca alterada.
No começo é chato, mas as pessoas passam a não se meter na sua vida mais. Uma pitada de cinismo e distanciamento faz muito bem.
Se falam:
 _ Você está se tornando antissocial: Respondo:
_E daí? Está atrapalhando a sua vida em que mesmo?
Sim, distancio algumas pessoas de mim assim. Mas as que valem a pena ficam. Kkkkk. Mas na boa, sem raiva. Aprendendo a cuidar de mim e me preservar.
Poucos merecem algum tipo de explicação, ou querem realmente saber o que você precisa.  Só querem dar palpite na sua vida ao invés de cuidar da própria.

1 de maio de 2017

Preguiça ou letargia?



      Não consigo ME tirar da preguiça. Faço muita coisa em um dia e fico uns 3 sem conseguir fazer nada. Tudo está muito difícil de realizar. Fibromialgia atacadíssima, mas o desânimo é maior. Meus deuses....
      Queria conseguir simplesmente ficar deitada assistindo TV, ou lendo. Mas ficar deitada muito tempo sem me mexer as dores no corpo triplicam. E o pior... sinto culpa. Fico justificando com meu filho: _Estou com dor, vou pedir comida hoje. ou _ Vou fazer algo rápido e fácil.
      Ele me entende graças a Deus, não se importa, mas eu fico envergonhada. Estamos comendo mal porque faço coisas rápidas e muitas vezes não tenho ânimo de ir ao mercado ou varejão. O pior que com isto tenho gastado mais do que posso e engordado.... :(
      Meus deuses. Queria ser aquela pessoa que tem pique, que parece injetar energético na veia... Não sou. Pensei que quando aposentasse iria deixar minha casa 100% organizada. Aff... acho que isto nunca acontecerá.
      Meu filho é maravilhoso!!!



24 de abril de 2017

Vida de aposentada bipolar

Por do Sol em Brasília
Bem faz apenas 1 mês e 21 dias que aposentei, ainda não me sinto aposentada, nem com tédio, nem com saudades do trabalho, se é que um dia sentirei. Sinto-me de férias.
  No primeiro mês quis abraçar o mundo com as pernas. Tanto tempo me segurando para conseguir trabalhar, sendo “alegre”, suportando as dores da fibromialgia sem reclamar e me entupindo de analgésicos e antiflamatório para dar conta do recado. Mas não soube lidar. Me entreguei, sofri com as dores, fiz repouso, tive medo do futuro achando que ficaria assim, quase de cama para sempre.
  Acordei cedo todos os dias, queria arrumar a casa, armários, guarda-roupa... Comecei foi piorar, ficava me cobrando fazer as coisas e ter rotina. Porque todos falaram que era importante. Deprimi, as dores voltaram com tudo. Aí pensei. Pela primeira vez desde os 19 anos de idade que  vou poder respeitar meu corpo, fazer só o que eu conseguir e quiser. A casa existe para me servir e não o contrário. Não tenho marido para me cobrar e tenho um filho que vale ouro e me entende e respeita.
  Relaxei. Arrumo casa no dia que acordo sem dor. Só pela manhã, a tarde me reuso. Mas se tenho algum programa deixo a arrumação para amanhã. Estou com dores? Deito, assisto filme, faço comida fácil de fazer ou saio ou durmo ou vou caçar Pokémon (hehe). Gente, ficar sem trabalhar também é uma arte.
  Passado este um mês de aposentada, comecei a melhorar. Mas ainda estou aprendendo.
  Eu me dei até julho para deixar meu corpo se curar, ou pelo menos melhorar. Comecei a sair mais, ver o por do sol de Brasília que é linnnndoooo!!!! Desencanar com este negócio de ter que deixar a casa arrumada. Porque sempre tive isto, Domingo tenho que deixar tudo arrumado porque na segunda começa tudo de novo. Mas para mim agora todo dia é sábado.
  Queria entrar na academia, resolver isto e aquilo. Calma sua bipolar, sem pressa. Vou FAZER NADA até julho. Dar este tempo para meu corpo e mente que sempre quis e nunca pude. Em agosto paro, faço um introspecção, analiso a minha vida, crio uma rotina levando em conta minhas limitações, fibromialgia, bipolaridade. Estou ótima, nunca estive melhor. Tenho certeza que vou melhorar ainda mais.
  Olho para trás e vejo o quanto fui guerreira, quantos dias fui me arrastando trabalhar, mancando, chorando ou agressiva querendo matar um...  Sério, nós bipolares somos fodas. Vencemos batalhas diárias, temos dias péssimos, mas conseguimos ter dias bons apesar de tudo. Períodos bons, normais, produtivos. Somos MARAVILHOSOS!!!!
  Introspecção, introspecção. Um dia de cada vez, vivendo sempre o agora. Vai dar tudo certo.

Netflix me aguarde, vou te usar e muuuuito.

11 de março de 2017

Aposentei jovem!!! Consegui



               Aposentei dia 03\03\2017           
             Só tenho a agredecer a SEDF. Consegui trabalhar por 30 anos com meus altos e baixos. Os dois últimos anos readaptada, isto me salvou. SEDF foi uma mãe para mim.
              Sinto-me uma guerreira indo para Valhalla. Venci a batalha. Transtorno bipolar, fibromialgia, hérnia de disco. Mas dei conta de aposentar por tempo de serviço e antes da reforma da previdência.
               Meus 50 anos e todos que ficam sabendo que aposentei dizem não acreditar que eu tenho 50. Acho que pareço ser mais jovem mesmo. Estou sempre sorrindo, brincando, meus gostos , jeito de vestir, acho que pareço mais jovem mesmo. Mas não me sinto assim. Em casa, quando relaxo sinto-me com 100, 80 nos dias bons.
               Agora quando estiver com muita dor, não preciso mais fingir estar bem. Deito, durmo
               Por enquanto não quero fazer planos, quero descansar, cuidar de mim, dormir. Quero ter o privilégio de sentir tédio.
               Vou me dar o direito de ficar atoa por no mínimo 3 meses.
Na verdade a ficha não caiu ainda. Ainda não me sinto aposentada. Acordo sem o alarme do celular 6:30h. Tomo café da manhã com meu filho e fico procurando o que fazer, como se eu tivesse que adiantar as coisas porque depois não terei tempo.

Então vou só relaxar e esperar a adaptação. Comemorar e comemorar. Ir a cinema a tarde porque é vazio, sou anto-social e porque posso. Hehe
A mochila nas costas vou deixar para o segundo semestre.